Mostrando postagens com marcador El Tigre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador El Tigre. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de julho de 2013

DETROIT COLLAPSE - El Tigre visita o EASTOWN THEATRE em 'cartinha' para Ricardo Setti

East Town Theatre V.J. Waiver 1930-Detroit

por LesPaul Corvette


Prezado Setti, escusas pelo extenso... but, diante da refalada decadência de Detroit e estando em Chicago há um ano, resolvi dar um 'pulo' para ver de perto a história da tal decadência e para levantar um pouco da história do Eastown Theatre (última foto de seu post Ricardo Setti - VEJA), cinema dos anos 20 (1926 – 1930) que recebeu uma tonelada de grandes nomes do rock'roll a partir do final dos 60. 

A idéia era colocar em Detroit El Tigre, mi perro falopero, um cão-danado-gente-boa que vive como motorista de celebridades em LA, desde tempos imemoriais. E de lá, contar alguma das histórias que 'narramos' no blog chamado maisbarulho. Desde os 60 o cenário já era devastador. A chegada de 1967 marca o início do fim do belíssimo teatro, até então uma mistura de estilos clássicos em que no seu interior predominava o estilo barroco, com uma abóbada dourada, uma belíssima escada de mármore importado provavelmente da Itália levando ao mezanino. 

A indústria automobilística ainda não havia apontado o bico de sua trajetória para baixo, os 'japoneses' ainda não haviam conquistado os corações (bolsos) americanos, mas a região do teatro já era barra pesadíssima, aliás, na cidade já rolava de tudo. De LSD a heroína fake. Vários casos de overdoses são encontrados ao longo destes quase 100 anos. E assim, a casa de 2500 lugares que abrigou cinema, teatro e até igreja, outrora refinada por lustres exóticos, bustos, tapeçaria emoldurados por um grande arco do proscênio, tudo admirado por artistas e espectadores, veio atravessando os anos até a débâcle prenunciada. Desde os Anos 20 Detroit era coroada por grandes cinemas - no lado oeste tinha o Grand Riviera; no sudoeste a Hollywood; o norte a Uptown. Porém, no lado leste, o Eastown que aparece decrepito, abrigou ícones do calibre do The Who, Yes, Fleetwood Mac, Faces, Jefferson Airplane, Cream, Steppenwolf, King Crimson, James Gang, Rush, J. Geils Band and Joe Walsh Vale, Alice Cooper, dentre outros. Rolava de tudo na 8041 HARPER AVE., DETROIT, MICH.
Sugiro se tiver tempo e interesse, uma lida neste link pinçado no Detroit.Org: http://historicdetroit.org/building/eastown-theatre/  

domingo, 29 de julho de 2012

EL TIGRE conhece JoAnne. Apaixona-se e emprenha a aeromoça holandesa de inenarráveis atributos

Well, once upon a time um caozinho canalha com cara de sofrido é enviado ao LAX, o aeroporto de Los Angeles, por um médico a quem naquela época - início dos anos 70 - atendia como motorista em Beverlly Hills. - Vá ao aeroporto buscar minha meiga sobrinha. Ordem dada, processada e obedecida. Com o ar condicionado a milhões e o teto solar aberto, El Tigre seguia aquele emaranhado engarrafado de LA com uma charola de respeito entre as mandíbulas. Estacionou na área VIP. Aprumou-se dentro do fardamento, rabiscou o nome da moça em uma cartolina reservada no porta-luvas justamente para essas ocasiões e dirigiu-se à ala C onde o vôo da KLM acabara de chegar da Europa, após escala em Chicago. Uma cavala de quase um e oitenta atravessa o saguão do aeroporto em direção à plaquinha com seu sobrenome destroncado escrito com pincel atômico. A moçoila, linda em seus 19 anos arrebatou o pobre coração canino. 

Os olhos vermelhos de El Tigre escondidos sob a aba do quepe azul marinho que encobria-lhe o cenho introjetaram na moça um sentimento psicodélico, cuja descoberta nos cafés de Amsterdão lhe era recente. - Oi, você deve ser El Tigre, balbuciou charmosamente. Os olhos não eram verdes ou azuis, eram quase cinzas, duas pérolas translúcidas. A jovialidade escondia qualquer traço do presumível cansaço transcontinental que um vôo daqueles impunha. Abriu a porta traseira para a potra entrar. Ela regateou: - vou na frente com você, é minha primeira vez em LA, arrematou desinibida. Bagagem acomodada e JoAnne instalada ao seu lado puxa a saia plissada até a altura das coxas roseadas e lisas, solta a cinta liga que era parte do uniforme cor de Crush e mexe no dial. - Qual a rádio mais rock'n roll? perguntou emendando : - só ouço blues quando queimo um baurete e transo sem pressa. El Tigre aquela altura já estava perdidamente apaixonado. Linda, jovial e charoleira. - Você tem unzinho? Atropelado pela pergunta, o cão safado não acreditou no que ouvia, e depois de um demorado lapso de infinitos cinco segundos, rompeu o silêncio que lhe embaraçara as idéias enquanto ainda seguiam pela 405 em direção a Santa Monica Boulevard: vamos até Malibu, baby, disse (To Be Continued - ela fuma e pede para ele botar uma rádio blues e procurar um lugar tranquilo pra encostar o carro - só falta pular pro olímpico espaço de trás da limousine e consumar o amor de sua vida - êta cão tapado que não percebeu que era um plano, mas quem não cairia; o patrão médico estava mais para Mr Hyde. As trepanações do Dr. das estrelas. JoAnne seria fruto das experiências macabras de seu patrão? Seu filho teria servido de inspiração ao Bebe de Rosemary? Em breve no MAISBARULHO)

sábado, 28 de julho de 2012

EL TIGRE vai ser pai. A mãe é aeromoça da KLM. Diz ele!!!



El Tigre, mi perro charolero tweetou um chamado meio desesperado. Estaria em Venice pelas duas daquela tarde outonal no Zindee, nosso tatooador taitiano predilecto. Alguma urgência assanhava-se na mensagem limitada por 140 caracteres. Voltando no tempo: chegamos el Tigre e eu nos idos de 70 na Califórnia. Lá ele vivia como motorista de limousine das mais ecléticas celebridades. Especialmente, as mais detonadas e promíscuas. Arranjava uns trampos de sobra para um jornalista que queria ser um famoso escritor... well, Eu. Sem talento aparente, agentes ou histórias interessantes, exceto aquelas testemunhadas nas madrugadas de Hollywood... Well... a história do tweet é papo trouxa. Estacionei a Triumph nos fundos da liquor store do HJoe aonde deixei o capacete coquinho. Desci com vagar a ruela que levava ao estúdio, em direção ao popular passeio público aonde peitudas tipo Bay Watch, skatistas e surfistas fakes desfilam em séries e filmes hollywoodianos.. El Tigre estava com o olhar esquisito. Rubros como sempre. Injetados como que de sal mediterrâneo. O rubor rubiáceo era diferente. Não era da marafa que o perro marafeiro era adepto em tempo integral. A agulha de sua nova tatuagem sequer encontrava seu couro pulguento. Porém, seus olhos marejavam. Mirou-me severo, com a inglória e óbvia tentativa obnubilada dos bêbados, doidos e drogados de convencer um sóbrio babaca. Disse na lata: vou ser pai!!! E a aeromoça holandesa da KLM estaria grávida de um híbrido muito freak... El Tigre me olhava com olhos de uva, JoannAnne lhe esperava a apenas 15 kms de Amsterdão e eu seria o padrinho desse enlace. To Be Continued (listen In The End - Linkin Park)

terça-feira, 13 de março de 2012

Você conhece Albufeira, em Portugal? El Tigre, mi perro louco refaz antes da primavera a rota que percorreu num verão dos anos 70 com uma diva hollywoodiana

El Perro percorreu o sul de Portugal no verão de 1969, dirigindo uma Mercedez-Bens creme com estofados grená, exigência de uma celebridade hollywoodiana. De lá, seguiram até Saint Tropez margeando o Mediterrâneo numa história recheada de glamour e lágrimas, sexo, traições e arrependimentos. A diva o levara a Europa por segurança, já que o cão fazia bicos com metade da canastrada dos estúdios. 

Especialmente, quando depois de alguns martinis ao entardecer de Los Angeles, decidiam seguir para Las Vegas,  consumindo tudo quanto era aditivos, lícitos e ilícitos, dentro da limousine que o cão com maestria guiava noite a dentro pelo deserto. Na manhã seguinte, cedinho, regressavam incógnitos pela malta de repórteres e incólumes após um sono restaurador, estatelados nos fundos do enorme Cadillac. Era uma Sodoma amplificada com o acréscimo das drogas e do álcool. Uma Gomorra móvel, que desfilava o pecado Mojave afora. Naquela época, uma peça completava quase meia-década de sucesso em Nova Iorque, na Broadway. Lauren Bacall, no teatro, e Ingrid Bergman no cinema, protagonizaram a enfermeira nessa comédia que trazia um divertidíssimo Walter Matthau. Portugal ganhou depois sua adaptação .... (leia abaixo). 
 
Enquanto isso, El Perro seguia em direção a Espanha numa jornada que recebeu a visita de galãs e cafajestes, alguns galãs cafajestes, outros cafajestes marginais ao mainstream. Mas as cores do Mediterrâneo, especialmente naquele início de verão europeu, dramatizavam o cenário digno de uma pena afiada. Até chegarem na Côte d'Azur três paradas foram marcantes para a celebridade, despercebida pelos farejadores dos tablóides de fofoca da Velha Senhora (detalhes nos próximos posts)
 
Ficheiro:Albufeira 7.jpgA FLOR DO CACTO estreou na Broadway em Nova Iorque em Dezembro de 1965, contando com Lauren Bacall no papel da enfermeira, onde foi um dos maiores êxitos teatrais da década ultrapassando as 1200 representações. Rapidamente foi adaptada ao cinema, numa comédia protagonizada por Walter Matthau e Ingrid Bergman, pela qual Goldie Hawn recebeu o Oscar logo na sua estreia no grande écra. Nos anos 70, foi um colossal êxito em Portugal, contando com actores de eleição como Laura Alves, Paulo Renato, Alina Vaz, Carlos José Teixeira, Ângela Ribeiro, Alda Pinto e Rui Mendes, entre outros, permanecendo durante dois anos em cena no Teatro Monumental. Em 2010, Hollywood regressou a uma adaptação extremamente livre deste texto com Jennifer Aniston e Adam Sandler em ENGANA-ME QUE EU GOSTO, enquanto a versão teatral de A FLOR DO CACTO regressou aos palcos de Nova Iorque, nos primeiros meses deste ano, sendo actualmente um dos maiores êxitos da Broadway. (Leia no Original)
 





quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

800 milhas com Les Paul e El Tigre entre Oklahoma City e Chicago conduzindo uma jamanta com equipamento do Led Zeppelin na tournée americana de 1977. E o inusitado encontro com 'A Wireless Message' de Ambrose Bierce na bela voz de um misterioso bluesman nonagenário em um pub decrépito da Cidade dos Ventos



Na madrugada de 4 de abril de 1977 eu deixei para trás Oklahoma City, obviamente no estado de Oklahoma. 800 milhas separavam eu e El Tigre, mi perro louco, de Chicago, passando por Saint Louis. Tinhamos menos de 24 horas para cobrir a distancia com nosso truck Mack, uma jardineira composta por duas carretas enganchadas e um total de ' 500 ' pneus carregada de cabeçotes e colunas Marshalls, mesas de som e PA's, alguns instrumentos de reserva e toda sorte de quinquilharias da parafernália que compõe o palco e o backstage de um bom show de rock. O principal do line up seguia de aviao. A prudencia me fez começar na boléia do caminhão. Havíamos os dois trabalhado duro antes e depois do show do Led Zeppelin no The Myriad, mas El Tigre tinha fumado bagulho demais e suas orbitas giravam mais que carrossel desgovernado. Era o segundo show da banda e desde o primeiro, em Dallas, TX, nos incorporamos como roadies a troupe [para fugir do juiz insano que nos prendera em.. (ver este post antigo e também este)
Nosso trabalho consistia em descarregar as grandes carretas de equipamento nos estádios e recarrega-las e descarrega-las no aviao, isso sucessivamente ate 13 de agosto do Ano da Graca de 1977. Data do último show marcado para o J. F. Kennedy da Philadelphia, e que acabou cancelado (conto essa historia depois). Éramos encarregados de buscar birita e afins para o staff britânico. O show em Oklahoma provocou histeria a exemplo do show no Memorial Auditorium, de Dallas, ocorrido dia 1o. de abril. A pasmaceira foi geral, todos boquiabertos com o quarteto ensandecido formado por Jimmy Page, Robert Plant, John Bonham e John Paul Jones, destilando os alcoois e barbituricos com botinadas estereofônicas na orelha da turba. As pedradas como Rock'n Roll e Black Dog eram entremeadas pela chapante Starway To Heaven, um hino na comunidade hippie-hiponga remanescente.
Continuava nosso mergulho na boca negra da noite na I-44 E. Pelas três e meia da manhã apareceram algumas milhas à frente de nossa centopéia as luzes de Tulsa. Um pouco mais ao Norte tem outra rota que passa por Kansas City e Iowa City. Um pouco mais longa e mais gelada, e no inicio de abril ainda sujeita a nevascas. Em poucas horas estávamos na trilha seguindo o rastro do farol rasgando a escuridão. Onde o dial do radio estacionasse, algum ótimo jazz ou triste blues invadia a cabine. La fora fazia 3 graus Celsius. Dentro, no máximo 5 graus, se não a mesma coisa. A calefação estava quebrada e nossos ossos enregelados.
Em Chicago a banda tocaria nos dias 6 e 7 e 9 e 10 de abril no Chicago Stadium. A logística era absurda. Toneladas de equipamento eram transportados e depois instalados de modo a cobrir o imenso estadio. Quatro shows. Foi nosso primeiro contato com a Cidade dos Ventos. Seio farto e generoso que acomodou tanto os emigrantes do Delta do Mississipi com seu blues triste, quanto a transformação no blues elétrico e pilhado que nascia no inicio dos anos 20, você encontra em Chicago as melhores casas de blues da America. E não falamos das mais famosas, das fakes e dos pubs pega-trouxas. Algumas biroscas transversais ao mainstream turístico escondem monstros das seis cordas, do piano e do sopro que enlevam seu espirito e transportam-no ao céu ou mergulham sua alma num caldeirão do diabo em apenas um riff espetacular. Tudo com a mesma facilidade. Naquela noite de 5 de abril eu e El Tigre, acompanhados por um ogro de 2 metros de altura, um irlandês ruivo com uma barba de quase 30 centímetros, gente boa que fazia a segurança do transporte, saímos pouco depois da meia-noite e meia da passagem de som no Chicago Stadium. Tudo estava pronto para o show do Led em Chicago. Missão cumprida. A parte inglesa da cacalhada e alguns roadies foram afrouxar as calcas em puteiros na regiao das docas. Nos só queríamos beber umas cervejas e shots de wiskey vagabundo, queimar um joint e dormir; repor o sono da desgastante viagem noite a dentro e dia anterior inteiro enjaulados na cabine do Mack. Sorumbáticos e silenciosos, quando chegamos 19 horas depois, quase 9 da noite e parando apenas três vezes ao longo do trajeto enregelante, ninguém falava nada. Descarregada a carreta, cá estamos vagando nas imediações da West Madison St com a North Ogden Ave, uma zona predominantemente comercial e a essa hora da noite ainda mais deserta. Foi quando de inopino divisamos um aprazível mafuá onde hoje funciona uma das famosas Billy Goat Tavern & Grill, criada em 1934. A placa na entrada diz: Enter At Your Own Risk.
Plant e Page reservavam surpresas para o primeiro show na cidade. Mas não seria, como descobrimos de maneira inesquecível, maior e mais impactante que a que um homem d 91 anos nos provocou. O bar tinha um letreiro de neon com metade das letras intercaladamente apagadas. Piscava em vermelho wiskey e em branco azulado, BLUES a Live. Entramos, alguns negros nos olharam sem reação de seus olhos obnubilados, outros com um esgar de desdém no canto de seus lábios carnudos. Num canto escuro do buteco estava a figura enigmática de um bluseiro negro, ralos cabelos brancos, gravata borboleta desgastada, um paleto escuro 
surrado, igual ao da famosa foto de Robert Johnson, punhos poídos. A perna caída da banqueta apoiava o peso da idade, isso enquanto não ritmava com os pés o melancólico blues. 
Big Moe Joe, ao menos era o que estava escrito à ponta de faca no estojo de seu violão, feito de  madeira revestida de curvim acolchoado de veludo de uma cor que outrora deve ter sido jasmim. Com seus pés encaçapados em um par de botinas enormes, igual aquelas da Iª. Guerra Mundial, ele sincopava tal e qual um metônomo analógico,  compasso após compasso. Apoiava o velho violão dobro Gibson em sua perna esquerda e desenhava lindos acordes com seus dedos mumificados pelo tempo. Sobre o fundo musical enigmático que construía, contava uma historia cujo seu testemunho ocular juraria solene, e se desafiado, sobre o jazigo de sua velha mãe enterrada milhares de curvas e milhas, mapa abaixo, em New Orleans. A voz rouca, era aveludada e doce como o conhaque de quinta categoria que sorvia com vagar junto com os cubos de açúcar para cavalos de corrida que deixava derreter no canto da boca. O ritual repetia-se a cada gole.  Afirmava ter sido testemunha do causo quando tinha uns 8 ou 10 anos e seu pai o mandou procurar pelo patrão chamado Mr. Holt. Não lembrava ao certo a idade que tinha ao tempo dos fatos e nem a que hoje tem. Nem tampouco que fora testemunha ocular de um conto fantástico de Ambrose Bierce chamado 'A Wireless Message". E e isso pouco interessa:
In the summer of 1896 Mr. William Holt, a wealthy manufacturer of Chicago, was living temporarily in a little town of central New York, the name of which the writer’s memory has not retained.  Mr. Holt had had “trouble with his wife,” from whom he had parted a year before.  Whether the trouble was anything more serious than “incompatibility of temper,” he is probably the only living person that knows: he is not addicted to the vice of confidences.  Yet he has related the incident herein set down to at least one person without exacting a pledge of secrecy.  He is now living in Europe.
One evening he had left the house of a brother whom he was visiting, for a stroll in the country.  It may be assumed - whatever the value of the assumption in connection with what is said to have occurred - that his mind was occupied with reflections on his domestic infelicities and the distressing changes that they had wrought in his life.

Whatever may have been his thoughts, they so possessed him that he observed neither the lapse of time nor whither his feet were carrying him; he knew only that he had passed far beyond the town limits and was traversing a lonely region by a road that bore no resemblance to the one by which he had left the village.  In brief, he was “lost.”

Realizing his mischance, he smiled; central New York is not a region of perils, nor does one long remain lost in it.  He turned about and went back the way that he had come.  Before he had gone far he observed that the landscape was growing more distinct - was brightening.  Everything was suffused with a soft, red glow in which he saw his shadow projected in the road before him.  “The moon is rising,” he said to himself.  Then he remembered that it was about the time of the new moon, and if that tricksy orb was in one of its stages of visibility it had set long before.  He stopped and faced about, seeking the source of the rapidly broadening light.  As he did so, his shadow turned and lay along the road in front of him as before.  The light still came from behind him.  That was surprising; he could not understand.  Again he turned, and again, facing successively to every point of the horizon.  Always the shadow was before - always the light behind, “a still and awful red.
Em uma tradução livre, porca e torta...  'O verão de 1896, o Sr. William Holt, um fabricante rico de Chicago, estava morando temporariamente em uma pequena cidade do centro de Nova York, cujo nome a memória do escritor não lembra. Mr. Holt teve "problemas com sua esposa," de quem se separou um ano antes. Se o problema era algo mais sério que "incompatibilidade de gênio", ele é provavelmente a única pessoa viva que sabe: ele não é dado ao vício de confidências. No entanto, ele descreveu o incidente aqui contado, pelo menos a uma pessoa sem exigir  segredo. Ele está agora a viver na Europa...'

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Some News from Milwaukee by Les Paul and El Tigre. Pure Warm Blues in a cold winter. Quem será a diva que conduzem pelo Nor-Noroeste americano?



Aproximadamente a 125 quilômetros de Chicago (73 milhas), Milwaukee esconde segredos aos olhos menos treinados e aos viajantes desavisados. Depois de uma temporada vagando de bar em bar em Chicago e com o ouvido entupido do melhor Blues da América - isso mesmo, incauto leitor, o melhor blues da América não está no delta do Mississípi, El Tigre (mi perro louco) finalmente chega na fronteira nor-noroeste dos EUA com o Canada. Ainda faz muito frio, e hoje os termômetros bateram na casa dos -8 graus centígrados, desconsiderados os ventos que sopram rajadas atordoantes neste canto do planeta. Ouvimos (ele me arrumou um trampo de segundo motorista/segurança à diva que queria percorrer esse retalho dos EUA. De carro e incógnita, o que me impede por contrato de contar quem é a bela e sua mucama...). 
Como dizia, ouvimos do tradicional ao mais eclético e menos ortodoxo blues da Terra. Ótimas casas espalhadas por toda Chicago desvelam em seus pequenos palcos, todos emoldurados por uma indefectível cortina escarlate ou roxa, feitas de um veludo pesado pelo fumo saturado de seus salões, geniais guitar players e músicos, em geral, da melhor qualidade. Gente que sabe que não atravessará o portal da fama, e resignada, queima as digitais nas seis cordas de sua guitarra noite após noite. Night after Night.

De regra, o que mais se vê são Fenders de todos os tipos e gostos: stratocasters, telecaster e jazzmaster, jaguar e mustang. As pawn shops são um sucesso pra quem não se grila em comprar objetos nas casas de penhor. Sax, clarinetes e gaitas, beijados por virtuoses desconhecidas; guitarras e violões dobro arpejados por dedos e mãos calejadas, dedos amarelados do fumo e lábios feridos pela heroína. Rádios velhos, vitrolas e um cara de alma seca atrás do balcão, causticamente esperando o desespero agarrar-se às bordas do velho balcão ensebado. 
Já viu de tudo. Já pagou quase nada por preciosidades inestimáveis e, sem remorso, faz uma banana e larga um abafado phloda-se logo que o 'cliente' vira as costas deixando seu instrumento por um punhado mixuruca de bucks. Mas, falta grana pra mamadeira do pequeno rebento que chora, falta grana para injetar-se em mais um picolé de origem duvidosa, falta grana pro aluguel, pro cafetão, pra cafetina, pro gigolô e pro senhorio do mafuá em que se aboleta com mulher, filhos, sogra... But, the show must go on... e deixamos Chicago (breve um post exclusivo sobre as casas de blues da Cidade dos Ventos) pela US-41 N-Skokie Hwy em direção a Milwaukee... (to be continued)





domingo, 22 de janeiro de 2012

O Primeiro Porre de LesPaul com Charles Bukowski



"Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar.”



"É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom,bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa."




Quem não conheceu o escritor Charles Bukowski tende a 'emular'  as sandices tradicionais da crítica e, tal qual papagaios ignaros, conceitua-lo com os chavões apressados no forno da pobreza das redações: putanheiro, jogador e beberrão. Ex-funcionário da estatal de correios americana, não raras vezes dependente dos cheques semanais da previdência dos EUA, nós nos encontrávamos nas corridas de cavalo em Los Angeles no final dos 60, início dos 70. Ele não usava drogas. Mas bebia, bebia mais que aquele gauchinho caçula cujo pai dizia que só dava o brioco quando bebia: "mas o guri bebe, o piá bebe mais que dodjão V8...". Poucas palavras, todas sobre as pules e barbadas comuns ao mundo do turfe e dos habitantes dos hipódromos. Igual aos cassinos, ao jogo de cartas e dados que rola no fundo de botecos, ou o poker dos caixas-alta da metrópoles, o vício era o traço comum nesta grandíssima M. E não adianta dar descarga. A magnífica obra entope e não desce. Seja no pano verde, seja nas pistas, a M estará lá com o vencedor, mas especialmente com o perdedor, este de regra nas mãos de algum agiota.
 Pois, voltando a Califórnia, Charles diferia de mim apenas no aspecto, no asseio. Eu disfarçava melhor a ressaca que nos era comum, porém, hoje acredito que ele bebia muito mais que eu e bebia qualquer porcaria destilada. Não apenas se ressentia mais dos ferros. Dobrado o ponteiro das 12 horas, invariavelmente antes da meia-hora da tarde e com o sol a pino em Los Angeles comparávamos nossas informações vindas direto das cocheiras do Hipódromo de Santa Anita, localizado a mais ou menos 11 milhas de Los Angeles. O mundo dos jockeys é rico e muitos ficam ricos lendo bem essas tais informações.

Nós ganhamos muita grana. Ambos. Eventualmente. Geralmente migalhas. E, apenas uma vez, simultaneamente. Naquele dia de fim de outono nos encontramos com as papeletas na mão na fila do guichê, aonde fomos receber a "fortuna". Faturei quase US$ 5.500,00 doletas nesse dia especial e Bukowski mais um tanto bastante generoso. Vi ele deixando uns mil mangos com um corso mal encarado. Reservei US$ 1.500,00 que devia para El Tigre, mi perro loco, que trabalha como motorista para celebridades dos estúdios Hollywoodianos. Encontramos o traquitana na entrada do Universal Studios e de lá voltamos juntos, de táxi,  para um périplo etílico pela Sunset Boulevard. Mesmo para os padrões de LA, foi épico. As putas eram as mais caras disponíveis entre as propriedades badaladas de Beverly Hills e os muquifos que escroques como nós nos escondíamos. A grana acabou rapidamente... To Be Continued

terça-feira, 23 de agosto de 2011

De Venice a Maui pelas mãos de um sindicato do crime de Los Angeles


LesPaul foi flagrado por su Perro Loco, vulgo el Tigre, em algum point break não identificado do arquipélago Hawaiiano no inverno de 1970, certamente tomando coragem para encarar 15 pés plus que bombardeavam as brancas areias ainda imaculadas, não divisadas por milhões de japoneses. O arquivo não determina se era Dezembro de 69 ou janeiro de 1970. Naquele tempo, enquanto as vitrolas mais 'idosas' tocavam Beach Boys, um álbum fora levado às hostes de Maui, ainda tranqüilas com os escassos haoles que apareciam na Costa Norte da Ilha. Na capa um negão com cabelo black power que viria a mudar a história da guitarra elétrica: Jimmi Hendrix.
O cachorro, depois de uma temporada muito aloprada como motorista de celebridades em Hollywood convocou seu parceiro a dividir um clássico longboard permutado em Hunghinton Beach. Naquele período de loucuras, El Perro morava com tatuadores tahitianos clandestinos em Venice, ao lado de Santa Monica. Les Paul estava mais ao Norte, plantando uvas em uma fazenda em Santa Bárbara e desenvolvendo outros 'cultivares' menos ortodoxos. Um saco farto desses 'cultivares' foi dado em troca do tal pranchão.
Ficheiro:Venice.jpg

No início dos 70, o que a história não conta, é que além das viagens de ácido, do paz e amor, do sexo livre e despudorado, da geração de Aquários perambulando por parques e fazendolas, saltitando de festival em festival, o submundo do crime tinha na crueldade o traço principal de sua violenta atuação. Ao longo de toda área litorânea de Los Angeles, gangs rivalizavam pelo monopólio de putas e puteiros, bares, bebida barata, tráfico de maconha e haxixe e mão-de-obra para construção civil que explodia no centro velho da Sin City. Cada quadra tinha seu muquifo, e em cada qual era oferecido o pecado que mais aprouvesse à clientela. Desse cenário, resolvemos eu e el Tigre partir para o Hawaii, digamos, um tanto quanto às pressas. A barra havia pesado após uma... como diria... incursão não autorizada nas atividades de um certo sindicato do crime. Depois de o oxigenado cabeludo, atendente da surfshop que permutou o pranchão pelo saco de erva aparecer pendurado sob o pier de Santa Mônica, com sinais de tortura segundo os matinais sensacionalistas, a fuga para o Hawaii foi resolvida em apenas uma tarde-noite pelo LAX - Aeroporto Internacional de Los Angeles. To Be Continued

quarta-feira, 23 de março de 2011

O Desencontro de Les Paul Corvette, Dashiell Hammett, Sam Spade e Humphrey Bogart no John's Grill, Ellis St., San Francisco

Visite http://www.johnsgrill.com/ e conheça o reduto predileto de Dashiell Hammett. Em San Francisco, dizem as boas línguas empapadas em scotch vagabundo que o autor escreveu lá boa parte de O Falcão Maltês, clássico imperdível da literatura noir eternizado nas telas por Humphrey Bogart. Início de fevereiro de 2011, precisamente dia 1o., terça-feira, aguardei durante 5 horas a chegada de El Tigre, mi perro Loco. Em vão, o cão danado não veio. O garçom começou a desconfiar de minhas intenções após o quinto pitcher of beer, mais ou menos o equivalente ao dobro de um british pint, leia 'páinte'. Ao meio-dia fazia não mais que 5 graus. Apesar do ar gélido, o capote estava um pouco over e contribuiu para que alguns 'ratos' com insígnias reluzentes fossem alertados pelo sacripanta que me servia. Estrelas grampeadas sobre o peitoral de seus uniformes azuis, saídos não sei de qual pocilga, entravam no recinto a cada 35/40 minutos. Obedeciam ao 'pedido de socorro' do atendente, renitente em apertar um 'botão de emergência' muito mal escondido ao lado da velha registradora. E foi assim durante o período em que esperava o infeliz do meu motorista.

O frio gelado e seco daquele fim-de-tarde de inverno, iluminado pelos primeiros neons que se acendiam no lusco-fusco da noite californiana, fez a temperatura despencar. Sombras assanhavam-se pela metrópole do noroeste americano. Meu Omega Speedmaster fundo negro, comprado em Chinatown de um 'japonezinho' ligeiro apesar de perneta, marcava quase cinco horas. Eu tinha combinado com o 'cadélo' que me buscasse pelas duas da tarde. Estava três horas atrasado. El Tigre iria pegar um Cadillac 72 emprestado com uma amiga sua (dele), uma velha puta anã chinesa, atualmente cafetina e traficante de um xarope vietnamita que deixava tudo com um colorido muito doidjo. Rosnou que sairia pelas 12 horas, estava alojado próximo ao museu dedicado a Jack London no East Bay, em Oakland, no outro lado da Baía de San Francisco. Deixaria duas 'mariposas' do bordel no início da Van Ness avenue, então me apanharia e iríamos tomar de assalto a pohha do escritório do safado do meu editor, no 23o. andar de um velho prédio de escritórios localizado nas imediações da Pine Street com a Battery Street, umas 10 quadras da Ellis St. onde fica o bar. O tal agente a quem eu juntei de pohhada no estacionamento de um blues bar em Los Angeles; de quem roubei a piranha loura-abóbora que o acompanhava e levei como rescaldo voluptuoso na fuga daquela noite sem estrelas. Desde aquele dia uns brutamontes andam tentando 'me achar'.

Eu não tinha escolha. Ele ainda me devia as passagens de volta ao mundo pela Star Alliance (leia alaiânce e os velhos posts com as aventuras de Les Paul Corvette e su Perro Loco pelo deserto Texano, deserto de Nevada, Mojave, pelas Caraíbas, o início com a morte do casal de velhos milongueiros na Boca em Buenos Aires...). O calote me obrigou a sair de Chicago de moto, cobrir os retalhos do que sobrou da Rota 66 em direção a Califórnia; tentar receber o E-Ticket prometido que me levaria até Frankfurt , tudo por uma destrambelhada rota pelo Oriente. Deu tudo errado, fui preso e julgado por um juiz balofo e maconheiro de olhos rubros, em uma birosquinha entre o Texas, o Novo México e o Arizona. Fui obrigado a me casar com uma mulher de 2 toneladas de bacon, sudorése acebolada e frieiras que pareciam o Grand Canyon. Depois, fui jogado por um índio de dois metros, misto de aviador, traficante e segurança do meritíssimo magistrado, em um barco pesqueiro tão imundo quanto seu desdentado capitão; atravessei furacões na pior temporada das Caraíbas dos últimos anos, com os porões abarrotados de crânios, farinha, rum, aguardente de milho e charutos Cubanos contrabandeado dos estoques de Fidel, até sossobrar na costa Texana e novamente ter de fugir da camarilha do juiz pelintra.
Fisherman's Wharf

Não tinha perdão. Meu agente estava phlodido. Porém, para isso o filho de uma puta do meu 'cãozinho' de estimação tinha que aparecer com a m. do carro e me levar até Fisherman's Wharf para pegar Sam Bogart que vinha na barca de Alcatraz, aonde andava fazendo uns bicos de guia turístico. Faríamos o serviço e fugiríamos para antiga casa de Henry Miller, nos cliffs de Big Sur. Depois de dois dias seguiríamos para Monterey e cada qual zarparia em rumo desconhecido. O sarnento, contudo, deve ter ficado em uma blitz ou tá viajando com borboletas psicodélicas no xarope oriental. Já tomei uns 5 litros de cerveja e uns 8 shots de whiskey, que apesar de já devidamente mijados, deixaram embebedadas marcas em minha cachola agora meio zonza sobre pernas meio trôpegas. (to be continued)
Big Sur