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quinta-feira, 23 de abril de 2009

A quem interessa a "briga de rua" entre ministros do STF???

NAVALHADAS - Postei a respeito nos blogs do Canga e do Damião.
Repito, aqui, por temer a cegueira que encobre quase à unanimidade as opiniões e 'sentimentos' de alma lavada. Há um equívoco no aplauso ao destempero formal do Ministro Joaquim Barbosa. Por mais que concordemos com o que diz, por mais que sintamos nossa cidadania vilipendiada por uma pletora de habeas corpus e recursos deferidos sempre aos 'poderosos e milionários' parceiros do Estado, por mais que o Ministro Gilmar Mendes seja isso ou aquilo… Repito, a ‘liturgia’ não é só pra enfeite, tem na formalidade uma razão de ser. Bravata, descontrole, impropérios e ameaças é pra boteco, pra campo de futebol. Quando aceitamos que a coisa role no gogó, esquecemos que ditaduras se fazem TAMBÉM na marra. Na garganta basta o xaropíssimo e histriônico Chaves, o interminável Fidel e su paredòns, Stalin e os atrozes Gulags, os Maos e Idi Amins. Facínoras que levavam tudo na marra, no gesto amplo de seus podres poderes. Há maneiras muitíssimo mais inteligentes de se sacanear um safado ou phloder uma jogada corrupta repleta de safardagens. Especialmente quando somos inteligentes, doutorados, PHDs, representamos uma minoria, temos apoio e apelo popular, somos jornalistas independentes, comunicadores modernos dos zilhões de páginas da WEB. Repito, no gogó é uma grandíssima merdha, por mais que achemos um feito heróico e hercúleo do 'pobre' ministro, por mais que escutemos nossa voz sumariada no desabafo ministerial. Como disse o Professor Tambosi, devagar com o andor. Mais adiante explico como as discussões no tom pessoal se distendem e avançam o âmbito judicial e podem prejudicar você nos tribunais.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Um abraço no Damião, outro no Tambosi


O jornalista, escritor, poeta e blogueiro Carlos Damião trouxe pro meio do salão, nesse domingo (15), uma velha questão: por onde andaria a identidade cultural Barriga Verde? Ainda vive? E o que é hoje? Em que asilo a esconderam? Tudo começou ainda no sábado pós-sexta 13, com a crônica do também escritor, poeta e jornalista Olsen Jr., um puxão de orelhas em regra em todos nós através do respeitoso pito no Silveira de Souza. O signatário, palpiteiro de plantão, deixou seus diletantes pitacos, muito bem acompanhado por intelectuais como o professor Orlando Tambosi, escritor, filósofo e também blogueiro de escol. Convivi com ambos em tempos distintos. Do professor fui aluno comum, no tempo em que o Planetário da UFSC era um paraíso para eflúvios heterodoxos. De Damião fui colega em O Estado, cuja alusão à falta que o jornal faz é sentimento comum a dez entre nove connaisseurs.

Quem decide pela pobreza cultural pasteurizada que nos assalta? Ou é o marxismo militante ou o cooptado pelo mainstream. Aliás, "quem" é esse tal de mainstream? Damião, meu amigo, permita-me uma única possível correção: infelizmente a molecada de quem Tambosi (maltratado pela censura intelectual de alguns de seus pobres pares enciumados) diz não ser culpada - e concordo em parte - dela, mô Poeta, não espere versos, excepto (maldita reforma ortográfica) aquelas pobres rimas banais que misturam amor, sabor e cor no pagodinho fake de boutique, no sertanejo texano, com éguas ornadas por lantejoulas. Entretanto, não há somente um culpado. 'Urgências' modernosas (tv, PC, x-box, playstations, games em geral) não deixam a gurizada sossegar o traseiro pelo tempo que exige a leitura de uma simples página sem figuras. Há uma monstruosa falta de criatividade, quase nenhuma vontade da e na mídia 'profissional' em romper esse véu de ignorância, e com essas próprias armas. Faltam também boas indicações, et pour cause, boas discussões. Quando meu velho Paulo lançou A Lenda do Santinho - A Guerra Santa do Rio do Braz - despretensiosa novela de estréia (Insular, do incansável Rolin), uma professora carioca de um dos cursinhos repletos de tecnologia, aqui na capital, promoveu sua visita em algumas turmas. O debate foi tão intenso que os encontros se repetiram por várias semanas. A petizada não se furta à discussão, falta um empurraozinho, faltam agentes de carne e osso, falta destaque sistemático nos jornais, falta des-ideologizar o debate, falta redesenhar o mapa cultural catarinense (feito por barrigas-verde, gaúchos, paranaenses, paulistas, cariocas, marcianos e selenitas em geral). Chega de substituir - e se há algo sendo substituído é porque há salvação, ave, irmão! -, o papo é preservar, agregar, divulgar... e se por desventura não sobrar nada, ao menos discutir, fazer MAIS BARULHO.