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terça-feira, 8 de março de 2011

Foi-foi. É-é. Vai-Vai ganha seu 14o. título do carnaval paulistano com homenagem ao maestro João Carlos Martins

08/03/2011 17h59 - Atualizado em 08/03/2011 18h40


'Preciso de mil lenços', diz maestro após



vitória da Vai-Vai

João Carlos Martins recebeu a notícia nos Estados Unidos.
Segundo ele, essa é a maior emoção de sua vida.

Bruno AzevedoDo G1 SP

maestro (Foto: G1)Maestro João Carlos Martins acompanhou a apuração de um hotel nos Estados Unidos (Foto: Marcus Bezerra/Futura Press)

O maestro João Carlos Martins, homenageado pela escola de samba Vai-Vai, campeã do Carnaval 2011 de São Paulo, afirma que a vitória da agremiação com o enredo “A Música Venceu” é a maior emoção de sua vida. Ele disse não ter palavras para definir o que sentiu ao receber a notícia, mas que se expressaria muito bem se tivesse um piano por perto.

“Eu já fui chamado de maestro chorão. Agora, então, preciso de mil lenços”, disse Martins por telefone ao G1 de Fort Lauderdale, dos Estados Unidos. O maestro está em viagem internacional para anunciar a turnê que fará com a Orquestra Bachiana em setembro. Na quarta-feira (9), o maestro seguirá para Nova York.

Com a vitória, Martins afirma que antecipará sua volta ao Brasil de sexta (11) para quinta-feira (10) para que possa, na sexta, participar do desfile das campeãs no Sambódromo do Anhembi.

“Essa vitória tem um significado para mim que é muito difícil descrever com tudo que passei na vida e receber uma homenagem dessas. Desculpa, mas não estou com palavras [para descrever a emoção]. Se tivesse com piano poderia descrever melhor”, disse emocionado.

Martins acompanhou a apuração de um hotel. Segundo ele, à medida que o telefone começou a tocar com mais frequência foi crescendo a expectativa. Somente na reta final da apuração é que ele conseguiu ver pela internet a leitura das notas.

Durante o desfile, na madrugada de sábado (5), o maestro chegou a dizer que a emoção que sentiu era semelhante à que sentiu ao tocar no Carnegie Hall, em Nova York. Após a vitória, ele diz não ter dúvidas: “Essa é a maior emoção da minha vida. Sem dúvidas”.

Hoje com 71 anos, o pianista se tornou maestro após uma série de problemas nas mãos. Ele perdeu parte dos movimentos depois de sofrer uma lesão em um nervo da mão direita. O músico chegou a recuperar parte dos movimentos com tratamento intensivo, mas na década de 90 foi golpeado na cabeça, vítima de um assalto, e perdeu novamente o movimento das mãos. No século 21, João Carlos Martins dedicou seus conhecimentos à regência e aos projetos sociais que visam à inclusão de jovens carentes por meio da música.

abre alas vai-vai (Foto: Raul Zito/G1)Comissão de frente da Vai-Vai (Foto: Raul Zito/G1)

Desfile
A comissão de frente da Vai-Vai trouxe uma síntese da vida do maestro. Entre os 16 componentes estavam personagens da música, política, momentos da vida, mulheres e o futebol, uma das paixões do maestro, que torce para a Portuguesa. Dois componentes com pernas-de-pau representaram pinturas de Salvador Dalí. O pintor espanhol teria dito ao maestro que ele era o maior intérprete do compositor Johann Sebastian Bach, após assistir a uma de suas apresentações no Carnegie Hall, em Nova York.

Com mais de 70 metros, o carro abre-alas - na verdade três alegorias acopladas - sofreu uma pequena avaria na lateral durante a entrada no Sambódromo.

LEIA MAIS em http://g1.globo.com/carnaval/2011/noticia/2011/03/preciso-de-mil-lencos-diz-maestro-apos-vitoria-da-vai-vai.html


sábado, 5 de março de 2011

O Maestro João Carlos Martins, a Emoção do Carnaval da Vai-Vai e os Passaportes Diplomáticos distribuídos à Canalhada

Um emblemático momento repleto de muita emoção, talvez o primeiro grande impacto desse Carnaval 2011, foi proporcionado pelo belíssimo samba da Vai-Vai paulistana e a homenagem da rapaziada do Bexiga ao Maestro João Carlos Martins e sua história de luta e superação após perder os movimentos da mão esquerda, sendo ele considerado um dos maiores pianistas do mundo. Alegorias, samba, passistas e imagens de explícita emoção quando o Maestro regeu a bateria de Mestre Tadeu, trazendo o violino ao samba. O Maestro percorreu a avenida no chão, fez a tradicional manobra de recuo juntamente com a bateria e depois subiu no carro em que uma camerata acompanhava o samba sob sua regência. O laureado em vários momentos teve de conter as lágrimas, lágrimas que os especialistas convidados pela Rede Globo, comandados por Chico Pinheiro, não esconderam.

Pois, pois. Estou cá sozinho assistindo o final do desfile sob as primeiras luzes matinais. Recém flagrado pela minha pequena jóia ela me inquiri sobre uma furtiva lágrima, insistente... Digo-lhe: é o cansaço da televisão e voltando a imagem do Maestro na telinha lembro-me de meu segundo encontro com o genial músico. Voamos juntos para Portugal em setembro de 2009. Quem enfrentou a travessia do Atlântico sabe como é cansativa a viagem, os procedimentos na chegada, alfândega rigorosa no controle de entrada na Comunidade Européia, vôo vindo da América do Sul et coetera e tal. A fila era grande, alguns vôos vindos do continente africano despejavam passageiros na mesma fila de imigração em que estávamos. Ele não escondia o cansaço, meu pai que nos acompanhava também. Algumas crianças são levadas a uma fila especial. Tento com um agente aduaneiro, tanto pela idade septuagenária de ambos e pelo prestígio mundial do maestro, que eles fossem alocados na fila preferencial também, pois uma hora e alguns minutos já haviam passado desde que descemos do avião. Em vão. Enquanto isso, o papo dos passaportes diplomáticos indevidamente distribuídos às fartas à cacalhada é assunto morto na mídia, aparentemente esquecido noutro milênio. Pulhas que nada, absolutamente nada fizeram ou fazem pelo Brasil, pela nação, por nossa cultura, enfim, que nunca dignificaram o mimo diplomático que ostentam, ultrapassam sem revista, marginais acessos às barreiras alfandegárias. Justamente os que deveriam ser observados com o rigor microscópico das lupas.