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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Advogada é demitida de grande escritório por escrever contos eróticos na web

Deidre Clark quer 3,5 milhões de libras de ex-chefes.

Profissional usava pseudônimo de 'Ousada Deidre'.

Do G1, em São Paulo

A imaginação da Deidre Clark rendeu sua demissão de um renomado escritório de advocacia internacional. A advogada foi dispensada depois que os sócios da empresa descobriram que a profissional escrevia contos eróticos na internet.

Site de Deidre tem fotos, contos e poemas sensuais e eróticosSite de Deidre tem fotos, contos e poemas sensuais e eróticos (Foto: Reprodução/Deidredare.com)

A mulher, que trabalhava numa filial do escritório Allen & Overy em Moscou, usava o pseudônimo de "Ousada Deidre" para relatar experiências sexuais e divulgar poemas de conteúdo mais sensual. A firma não gostou e considerou a iniciativa uma "falta de conduta".

Deidre Clark se sentiu prejudicada com a demissão e está processando os ex-chefes em 3,5 milhões de libras, algo como R$ 3,4 milhões.

Aos 44 anos de idade, Deidre assumiu de vez sua postura ousada e agora assina uma coluna de contos sensuais em um jornal russo.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A Filha Zureta de Berlindo Lupércio e a Alma Doce do Caixeiro de Pau Grande

Muxiricó fica a duas centenas de quilometros de uma capital do sudeste brasileiro e mais uns três dias no lombo de burro do Vale das Cegonhas. O queijo parmesão é de lamber os beiços quando escorre da chapa do fogão à lenha pelas bordas do pão de milho. Essa região é coberta por uma mata imponente e coloridas flores que se revesam ao longo de quase todo o ano, escaceando no outono, época em que o doirado das folhas (obrigado Clarice Lispector) ilumina campos e vales sob a luz mais bela antes do solstício de inverno.

Nesse cenário idílico vivia Berlindo Lupércio. Marcado pelos rigores do tempo pretérito e das dores da faina campesina, não era um homem dado a sorrir. Não era tampouco mal-humorado. Apenas não se divisava um laivo de sorriso na cara vincada do caboclo. Dono de uma vastidão de terras herdadas desde tempos imemoriais, vivia em uma boa casa colonial. Simples, branca com janelas outrora azuis, avarandada e fresca no verão. Da chaminé evolavam círculos de fumaça de lenha fresca 400 dias ano inteiro. Ao lado do fogão descansava pendurada a garrucha sempre azeitada e pronta pra espantar algum chupa-cabra desavisado que invadisse suas lindes.
Com Lupércio viviam sua mulher Valquíria Tolentina e quatro filhas. Suportava a mulher que não lhe dera um filho macho e, quando não gastava o tesão com alguma vadia no lupanar de Sorocaba da Cotovia, esvaziava os ovos na obsequiosa Tolentina, uma mulher madura e ainda bem aprumada, de carnes rijas. Silenciosa, mas não submissa. Ela até gostava de ser barranqueada pelo 'velho' de quando em quando, mas se realizava sozinha, na banheira de ferro cheia de água quente, único tempo que se concedia e imaginava Valdonor, o Valdinho, caixeiro que atravessava aquela imensidão de campos, vales e capões remotos com um pouco de tudo. De bolachas a pregos de aço, de biotônicos fortificantes a tecidos sedosos que dizia vir de um Oriente distante. (To Be Continued - Quando a Alma Doce do Caixeiro de Pau Grande finalmente chega ao Céu Azul Marinho)

domingo, 1 de novembro de 2009

Da Série: Sumas Dominicais Odarianas - O Monólogo Febril e o Diálogo das Urgências

Ele balbuciava monocórdio pelas esquinas ininteligíveis onomatopéias. Faziam sentido e davam conforto à sua alma abandonada pelos outros, transeuntes apressados que nada ouviam no turbilhão de sons que enfrentavam. Tudo sem mais se tocarem de que a tranqüilidade lírica d’antanho correra também apressada pelo rio aberto por seus passos céleres. O ônibus das dezoito e quarenta e cinco, uma hora e
meia de fila e trânsito complicados, colocar no fogo a sopinha instantânea enquanto larga a sandália pela cozinha, a blusa no corredor e estar pelada antes de alcançar o banheiro já sem calcinha. Um banho- de-gato escorrega da pele pelo ralo toques, cheiros, sons e imagens acumulados no dia. Pronto. Final do telejornal sanguinolento acompanhado pelo pão mergulhado de naco-em-naco na caneca da sopa. Vai começar a novela preferida. A cada intervalo vão as roupas para o tanque, a louça para a pia, o celular que serve de despertador na tomada da mesinha de cabeceira ao lado da Santa de sua predileção e, antes das dez e meia já está com cabelos e dentes escovados cumprindo a primeira hora do sono que a levará ao ônibus das seis e quinze da manhã seguinte, saltar próximo ao Mercado Público e passar aos milhares que agora novamente é, pelo homem que balbucia onomatopéias ininteligíveis na esquina. Fotos: LesPaul, Nokia VGA, Ladeira Porto Geral, SP 2006. Singela homenagem a Pedro de Lara