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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

No dia do aniversário de São Paulo, uma homenagem à Florianópolis te tempos idos na pena do genial poeta Mario Quintana




Mario Quintana : Recordo ainda
em 13/10/2007 23:10:00 (7862 leituras)
Mario Quintana
Recordo ainda...E nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...

Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...

Estrada afora após segui... Mas ai,
Embora idade e senso eu aparente,
Não vos iluda o velho que aqui vai:

Eu quero meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai...
Que envelheceu, um dia, de repente!...


Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=528#ixzz1kT43fgMS
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ExcElentes fotos no site http://fotosantigasflorianopolis.blogspot.com/

terça-feira, 17 de janeiro de 2012


Riqueza garimpada no 

BLOG DO ORLANDO TAMBOSI


Para que serve a literatura?

A literatura tem algum significado para a vida? Quem responde é o professor francês Antoine Compagnon, observando que nas escolas "os textos documentais invadem seu espaço, quando não o devoram":


 Num pequeno, muito pequeno livro, que se pode “ler numa viagem de comboio ou a uma mesa de café” (nota dos coordenadores de edição), este professor de Literatura Francesa Moderna e Contemporânea, entendendo que se deve pensar sobre o assunto, avança várias respostas que me parecem de grande interesse a quem tem responsabilidades educativas.

Inspirando-se em Zola, afirma que “a literatura constitui um exercício de pensamento e experiência de escrita”, que “corresponde a um p
rojecto de conhecimento do homem e do mundo” (página 24).

“Lemos porque, mesmo se ler não é imprescindível para se viver, a vida se torna mais livre, mais clara, mais vasta para aqueles que lêem do que para aqueles que não lêem" 
(página 24). "Com a literatura (…) o exemplo substitui a experiência, para inspirar máximas gerais ou, pelo menos, uma conduta em conformidade com tais máximas” (página 31).

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“Ela liberta o indivíduo da sujeição às autoridades, pensavam os filósofos. A literatura é de oposição: ela tem o poder de contestar a submissão ao poder. Enquanto contra-poder, ela revela toda a extensão do seu poder quando é perseguida” (página 32).
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“A literatura, enquanto instrumento de justiça e de tolerância, e a leitura, enquanto experiência de autonomia, contribuem para a liberdade e para a responsabilidade do individuo, valores esses, das Luzes, que presidiram à fundação da escola republicana” (página 31). A “literatura, simultaneamente sintoma e solução do mal-estar na civilização, dota o homem moderno de uma visão que vai além das restrições da vida diária"(página 33).
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“O poeta e o romancista dão-nos a conhecer o que estava em nós, mas que ignorávamos por nos faltarem as palavras” (…) “dispõe do poder (…) de desvendar uma verdade não transcendente, mas latente, presente em potência escondida fora da consciência, imanente, singular e até então inexprimível” (página 35-36).
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Por tudo isto e muito mais, Compagnon defende que “urge fazer novamente o elogio da literatura, protegê.-la da depreciação, na escola e no mundo” (… ) Enquanto fonte de inspiração, a literatura ajuda o desenvolvimento da nossa personalidade ou à nossa ‘educação sentimental’(…) Ela permite aceder a uma experiência sensível e a um conhecimento moral (…). Já que o próprio da literatura é a análise das relações sempre particulares que unem as crenças, as emoções, a imaginação e a acção, ela contém um saber insubstituível, circunstanciado e não resumível acerca da natureza humana, um saber das singularidades” (página 31).
 .
"A literatura deve, desde logo, ser lida e estudada pelo facto de proporcionar um meio – alguns dirão mesmo o único – de preservar e de transmitir a experiência dos outros, os que estão afastados de nós no espaço e no tempo, ou que divergem de nós pelas condições de vida.” (Continua).

(http://otambosi.blogspot.com/2012/01/para-que-serve-literatura.html)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

CRUZ e SOUSA completaria hoje 148 anos. Aqui por Desterro, nenhuma referência oficial sobre a data tem destaque

Comandada por ignaros, incultos e abomináveis vira-bostas excitados com metros e mais metros de asfalto vagabundo, obras que não duram uma chuva de verão, na Desterro hoje submetida a tentativas (algumas bizonhas) e erros (muitos e bizarros erros), CRUZ E SOUSA, maior poeta simbolista brasileiro e considerado por especialistas um rival à altura de Mallarmè, o maior de todos, os homens do Paço NÃO LHE RENDEM em sua terra as homenagens que merece. Era um beletrista phlódão e esquartejava com a riqueza de sua pena um mundo dominado pelo racismo e preconceito. Sua inteligência e seus belíssimos versos eram adaga afiada a cortar os salões da nobreza sifilítica e escravagista. Apenas uma mísera linha no .... esqueçam-no é o que dizia aquela única linha no tal diário...

CAVEIRA

I
Olhos que foram olhos, dois buracos
agora, fundos, no ondular da poeira...
Nem negros, nem azuis e nem opacos.
Caveira!

II
Nariz de linhas, correções audazes,
de expressão aquilina e feiticeira,
onde os olfatos virginais, falazes?!
Caveira! Caveira!!

III
Boca de dentes límpidos e finos,
de curva leve, original, ligeira,
que é feito dos teus risos cristalinos?!
Caveira! Caveira!! Caveira!!!

ACROBATA DA DOR

Gargalha, ri, num riso de tormenta,
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
salta, gavroche, salta, clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta...

Pedem-te bis e um bis não se despreza!
Vamos, retesa os músculos, retesa
nessas macabras piruetas d'aço...

E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, tristíssimo palhaço...

Último texto

Escárnio perfumado

Quando no enleio
De receber umas notícias tuas,
Vou-me ao correio,
Que é lá no fim da mais cruel das ruas,

Vendo tão fartas,
D'uma fartura que ninguém colige,
As mãos dos outros, de jornais e cartas
E as minhas, nuas - isso dói, me aflige...

E em tom de mofa,
Julgo que tudo me escarnece, apoda,
Ri, me apostrofa,

Pois fico só e cabisbaixo, inerme,
A noite andar-me na cabeça, em roda,
Mais humilhado que um mendigo, um verme...

João da Cruz e Sousa, considerado o mestre do simbolismo brasileiro, nasceu em Desterro, hoje cidade de Florianópolis - SC, no dia 24 de novembro de 1861. Desde pequenino foi protegido pelo Marechal Guilherme Xavier de Sousa e sua esposa, que o acolheram como o filho que não conseguiram ter. O referido marechal havia alforriado os pais do escritor, negros escravos. Educado na melhor escola secundária da região, teve que abandonar os estudos e ir trabalhar, face ao falecimento de seus protetores. Vítima de perseguições raciais, foi duramente discriminado, inclusive quando foi proibido de assumir o cargo de promotor público em Laguna - SC. Em 1890 transferiu-se para o Rio de Janeiro, ocasião em que entrou em contato com a poesia simbolista francesa e seus admiradores cariocas. Vivia de suas colaborações em jornais e, mesmo já bastante conhecido após a publicação de "Missal" e "Broquéis" (1893), só conseguiu se empregar na Estrada de Ferro Central do Brasil, no cargo de praticante de arquivista. Casou-se com Gavita Gonçalves, também negra, em 09 de novembro de 1893. O poeta contraiu tuberculose e mudou-se para a cidade de Sítio - MG, a procura de bom clima para se tratar. Faleceu em 19 de março de 1898, aos 36 anos de idade, vítima da tuberculose, da pobreza e, principalmente, do racismo e da incompreensão...

Livros publicados:

Poesia:

"Broquéis" (1893)
"Faróis" (1900)
"Últimos Sonetos" (1905)
"O livro Derradeiro" (1961).

Poemas em Prosa:

"Tropos e Fanfarras" (1885) - em conjunto com Virgílio Várzea
"Missal" (1893)
"Evocações" (1898)
"Outras Evocações" (1961)
"Dispersos" (1961)

VISITE, para MAIS DO MESMO: PROJETO RELEITURAS em http://www.releituras.com/cruzesousa_menu.asp

LEIA TAMBÉM em Poesia.net (ALGUMAPOESIA) em http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.algumapoesia.com.br/poesia2/cruz.sousa.jpg&imgrefurl=http://www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet222.htm&usg=__jWc3r5ztI6gBYGPHFtg8oWzMtE0=&h=251&w=185&sz=12&hl=pt-BR&start=6&um=1&itbs=1&tbnid=7xgZ1WsK3FZAkM:&tbnh=111&tbnw=82&prev=/images%3Fq%3Dcruz%2Be%2Bsousa%26hl%3Dpt-BR%26rlz%3D1C1CHMG_pt-BRBR291BR340%26sa%3DN%26um%3D1

Caros,

Ironias da História: um dos poetas mais geniais no Brasil escravista do século XIX é justamente um filho de escravos. Falo do catarinense João da Cruz e Sousa (1861-1898), fundador e maior expoente do simbolismo no Brasil. Nascido em Nossa Senhora do Desterro, hoje Florianópolis, João da Cruz era filho de Guilherme da Cruz, escravo e mestre-pedreiro, e Carolina Eva da Conceição, ex-escrava...