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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Loterias vão sortear R$ 46 milhões esta quinta

R7 - ‎há 1 hora‎
Os sorteios das Loterias Federais foram transferidos para esta quinta (13) por conta do feriado nacional de 12 de Outubro. As apostas podem ser feitas até as 19h de hoje em qualquer uma das 11 mil casas lotéricas do País. A Lotomania promete pagar R$ 3 ...

sexta-feira, 18 de março de 2011

À Sombra do Celulóide: cinemas, cartazes, vesperais e matinês contados pelo último bilheteiro

MAISBARULHO vem acompanhando há alguns meses, através do G1, as notícias sobre o fechamento do tradicional Cine Belas Artes, no número 2423 da Rua da Consolação, Centro de São Paulo. Depoimentos emocionados marcaram o último dia do cinema (17/3/2011), cujo proprietário do prédio apesar de inúmeras tratativas comerciais e quizilas jurídicas optou por retomar o imóvel (http://maisbarulho.blogspot.com/2011/03/cinefilos-do-belas-artes-se-emocionam.html).

Especulações à parte, noite frouxa insinuava-se nos início dos anos 90 no Centro de Florianópolis, encontro o jornalista Paulo Fiuza e atravessamos a Praça XV de Novembro em direção à Kibelândia. A primeira cerveja ainda não acabara quando entra no bar quase vazio Seu Paulo, o velho homem da loteria que circulava por toda região central, nas repartições públicas, Mercado e terminal de passageiros com seus bilhetes da Federal. Seus olhos azuis e doces destoavam das evidências que o tempo estampara em seu rosto. - Seu Paulo, aceita um kibe, um café? - Obrigado meu filho, tô me sentindo cansado hoje e a féria não foi gorda, assentiu com a voz sumindo.

Há mais de duas décadas, quase oito horas de uma noite de inverno zunida pelo vento sul, dia de semana sem viv’alma nas esquinas que enquadram a Praça XV. O singelo convite rejuvenesceu-lhe as feições em alguns anos, olhos vistos. Pediu uma licença envergonhada e sentou-se conosco à mesa. Fiuza, esperto, provocou o assunto que mais animava aquela alma surrada: - estávamos falando de cinema, Seu Paulo. Os olhos ganharam vida na face sulcada. – Já contei que fui bilheteiro no Ritz e no São José? A paixão do octagenário pelo cinema nos transportou para o tempo do Roxy, Coral, Império, Jalisco, Cecomtur. Lembrava detalhes de cartazes, nomes de atores e atrizes, enredos e tramas, as trilhas sonoras e seus compositores. A conversa sobre as matinês de domingo, o vesperal dos sábados e o footing nas escadarias da Catedral tinha termo na garrafinha de guaraná que dignamente aceitara e prazo que obedecia ao horário da condução. Findo o papo, um trapo de gente reincorporava-se-lhe às feições e as velhas histórias desperdiçavam-se no baú do fim da vida. – Mais um kibe, Seu Paulo? – Não, meu filho. Muito obrigado. Tenho que pegar o ônibus. Uma filha conseguiu um quartinho em Capoeiras... Aquela noite Seu Paulo saiu da Kibelândia, seguiu pela rua Victor Meirelles e desceu a rua Nunes Machado em direção ao terminal rodoviário pela última vez.