HT na TV: prestígio dos Emmy Awards coloca em xeque relevância do Oscar?
Editor da coluna analisa a relação dos espectadores com a premiação voltada para TV
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Por Pedro Willmersdorf
Da France Presse
Tintin saltou das páginas das histórias em quadrinhos para as telas de cinema pelas mãos do americano Steven Spielberg, que filmou em 3D as aventuras do intrépido repórter, no longa-metragem que estreia
na Bélgica no próximo sábado (22).
"As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne" terá sua estreia mundial em Bruxelas - terra natal do célebre personagem criado há 80 anos por George Remi, mais conhecido como Hergé -, trinta anos depois de Steven Spielberg pensar pela primeira vez em levar o personagem para o cinema.
O cineasta estava fascinado desde 1981 pelo repórter de topete e sapatos esportivos, que Spielberg considera o antecessor de Indiana Jones, o arqueólogo da saga também dirigida por ele, um dos maiores sucessos da história do cinema.
Desde então ele desejava levar para o cinema as aventuras do jornalista investigador, mas sabia que não queria um filme com atores, nem um desenho animado.
Críticos que já assistiram ao filme em Paris consideram que a longa espera valeu a pena e que o diretor de "E.T." conseguiu captar a magia do herói que conquistou várias gerações de amantes dos quadrinhos.
Saga
O projeto de Spielberg de filmar Tintin, personagem quase desconhecido nos Estados Unidos, foi uma aventura desde o início.
O diretor contactou Hergé em 1983 e o belga parecia entusiasmado em trabalhar com o americano, mas o criador de Tintin morreu antes de um encontro. Foi a viúva do artista, Fanny, quem cedeu ao cineasta os direitos para levar o repórter ao cinema, em 2006, após árduas negociações.
Mas Spielberg teve que esperar pelo desenvolvimento da tecnologia de "motion capture" (captura de movimento) para poder filmar Tintin, que foi coproduzido pelo diretor da saga "O Senhor dos Anéis", Peter Jackson.
Ele queria usar a técnica, na qual os movimentos de atores reais dão vida a personagens digitais por meio de sensores - algo já visto por exemplo nas criaturas azuis de "Avatar" -, para dar mais emoção e expressividade aos personagens.
O britânico Jamie Bell, que interpreta Tintin, vestiu uma roupa especial com pontos eletrônicos, que ao ser captados pela câmeras permitiu aos animadores reproduzir seus movimentos no cinema.
Bell, que interpretou "Billy Elliot" em 2000, compartilha o protagonismo com Andy Serkis (Gollum no "Senhor dos Anéis"), que encarna o Capitão Haddock, enquanto Daniel Craig, o atual James Bond, interpreta a Rackham o Terrível.
Milu, o cão que é o fiel amigo de Tintin, é o único personagem completamente digital do filme, baseado em três histórias em quadrinhos.
O lançamento do filme também tem um caminho distinto ao usual: ao invés de uma estreia nos Estados Unidos, "As Aventuras de Tintin" será exibido primeiro na Europa.
A estratégia é criar uma grande expectativa para a estreia do filme nos Estados Unidos, às vésperas do Natal, que é uma das grandes esperanças de bilheteria de Hollywood.
Apesar de já ter brilhado com personagens sensuais na tevê, Camila Pitanga irá encarar pela primeira a nudez no cinema, no longa-metragem Eu Receberia as Piores Notícias Dos Seus Lindos Lábios. Nele, a atriz viverá Lavínia, ex-prostituta e ex-drogada.
À revista Alfa, ela revelou que se consultou com Sônia Braga – estrela do filme Gabriela (1983) e da novela (1975) de mesmo nome – sobre o grande desafio de mostrar-se, diante das câmeras, como veio ao mundo:
— Ficamos quase duas horas conversando. Ela me disse "Olha, Camila, o que fiz foi o seguinte: como sabia que tinha muitas cenas de sexo, já fiquei pelada no primeiro dia".

A construção e reforma de salas de cinema passarão a ser isentas de tributos federais. Medida provisória publicada nesta sexta-feira no Diário Oficial da União prevê a suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do Programa de Integração Social (PIS) para projetos de salas de exibição de filmes.
O benefício consta do programa Cinema Perto de Você, criado pela medida provisória. A principal novidade é um regime especial de tributação para as empresas com projetos de construção de salas aprovados pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). Elas comprarão mercadorias sem tributação para concluir as obras. No caso de produtos importados, também haverá a suspensão do Imposto de Importação.
Segundo o subsecretário de Tributação da Receita Federal, Sandro Serpa, a medida tem como objetivo estimular o aumento no número de salas de cinema no país.
— A ideia é incentivar a construção e reformas de salas de cinema para ampliar o acesso da população [à produção cinematográfica] — declarou.

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Por Pedro Willmersdorf
Diego AssisDo G1, em Cannes
Nem Gus Van Sant, nem Woody Allen, nem o novo filme dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne. Um dos assuntos mais comentados durante a primeira semana do Festival de Cannes foi "Sex and Zen 3D", anunciado pelos produtores de Hong Kong como o primeiro longa-metragem erótico em 3D do mundo.
Lançado no mês passado em Hong Kong e exibido para compradores e frequentadores do festival na última sexta-feira (13), o filme de Christopher Sun e Shiu Stephen Junior já foi apelidado de "o 'Avatar' do sexo", graças à sua bilheteria de estreia no país, que bateu a do blockbuster 3D de James Cameron.
Recriação de um filme de mesmo nome lançado em 1991 pelo pai de Shiu, "Sex and Zen 3D" também foi rodado integralmente com câmeras 3D, mas com um orçamento infinitamente menor que o da superprodução hollywoodiana - apenas US$ 4 milhões.
"Nosso dinheiro era apertado. Não dá para competir com 'Avatar'. Usamos a mesma tecnologia e o mesmo espírito de 'Avatar' para fazer as coisas acontecerem, mas não tivemos o mesmo tempo de produção. James Cameron levou 5 anos para fazer o seu, e nós levamos só três meses", contou Sun, o diretor do filme, em entrevista ao G1.
Mas assim como o filme de Cameron, o relativo sucesso da produção erótica cantonesa não pode ser explicado apenas com bytes e números. Um de seus maiores trunfos, especialmente se comparado a outros filmes de sexo, está na história, uma adaptação de uma antiga - e proibida - novela da dinastia Ming, passada de mão em mão nos últimos 200 anos, que narra a relação entre um príncipe malvado e um acadêmico que recorre aos favores do monarca para superar frustrações sexuais.
Livremente adaptada por Shiu e Sun, a versão para o cinema 3D carrega nos tom de humor pastelão, nas cenas de kung fu e nas brincadeiras com o membro diminuto do jovem estudante - em uma das cenas mais escatológicas e hilárias jamais vistas em Cannes, o personagem tem o pênis cortado e trocado pelo órgão de um jumento.
Orgulhoso e falastrão, o herói começa a história cortejando e casando-se com a filha virgem de um senhor local, mas logo na primeira noite de amor percebe que também sofre de ejaculação precoce. Incomodado com a situação, ele procura o príncipe e o convence a deixar que pratique a arte do sexo com algumas de suas inúmeras concubinas. Mas, no seio do castelo, há diversos traidores, e quando o nobre descobre que estava sendo trapaceado pelo jovem acadêmico dá início à sua vingança, com requintes de tortura e maquiavelismo.
"O filme é sobre amor, mas com uma história paralela de vingança de um príncipe que toma uma atitude desproporcional por conta de uma coisa muito pequena. A mensagem de 'Sex and Zen 3D' é que o amor se sobrepõe ao sexo", diz Sun.
"Sou um comprador também. Vou há muitas projeções. E, normalmente aqui em Cannes, em 15 ou 30 minutos, metade da plateia já foi embora. Conosco tem sido diferente. Mais de 90% das pessoas ficam e veem o filme até o fim! Até os mais impacientes querem ficar para ver aonde vai essa história", comemora o produtor executivo.
Mais que isso: segundo Shiu, "mais da metade" do público de "Sex and Zen 3D", em cartaz em cerca de 80 salas de Hong Kong atualmente, é composto de mulheres. "A maioria das pessoas acha que filmes eróticos são para homens, mas já na versão de 1991 muitas mulheres foram ao cinema ver 'Sex and Zen' porque era uma comédia", explica. "Acho que uma das estratégias de marketing que fizemos muito bem foram os clubes das mulheres. Pegamos alguns cinemas e não deixamos homens entrar. As mulheres vão em grupos de 10 ou 20, como se estivessem indo ver homens fazer strip-tease. E se divertem à vontade", garante.
Além da presença feminina, Shiu afirma que a exibição do filme em seu país tem atraído muitos turistas chineses. "Muitos deles vão a Hong Kong por outro motivo e acabam vendo. Mas tem também excursões de turistas que estão indo a Hong Kong só para ver esse filme. Eles sabem que não poderão ver num futuro próximo e sabem que é algo que tem de ser visto no cinema [por causa do 3D]."
De acordo com o produtor de "Sex and Zen 3D", a recente abertura do mercado de filmes na China tem sido positiva, mas "a censura é muito firme"."Eles estão matando a criatividade", reclama. Para contornar o problema da falta de atores e atrizes pornô que falem chinês, ele disse ter recorrido à mão de obra japonesa (os dois protagonistas do filme vêm de lá).
"As atrizes chinesas nem querem fazer [filmes eróticos]. Só as japonesas, por causa da diferença cultural. Elas pensam que é um bom trabalho e uma forma de se livrar da pressão do dia-a-dia, mas em Hong Kong ou na China sexo é uma coisa que elas só fazem com seus maridos ou amantes, não querem mostrar para o mundo", justifica Shiu.
Enquanto a abertura total de mercado do gigante vizinho não vem, os produtores de "Sex and Zen 3D" vêm buscando negócios em outros continentes. "Estamos muito felizes com a resposta. Só no primeiro dia em Cannes, conseguimos fechar contrato com Turquia e a Tailândia. Na América Latina, também já vendemos para o Peru", revela Shiu.
Diante do cenário promissor, Sun, o diretor, afirma que já pensa em uma sequência. "Primeiro temos que ter certeza que as vendas internacionais deste filme atendam às nossas expectativas. A gente com certeza vai fazer, espero que possamos começar a filmar ainda este ano. Mas isso só se tivermos um bom roteiro", avisa.